sexta-feira, 3 de julho de 2009

Aterosclerose


A aterosclerose é uma doença crônica que afeta a parede das artérias (de médio e grosso calibre) , levando a formação de placas de gordura (ateromas), que podem comprometer o fluxo de sangue através dessas artérias.

A doença pode afetar as artérias do cérebro, coração, rins e de outros órgaos vitais, assim como as artérias dos membros superiores e inferiores. Quando a aterosclerose ocorre nas artérias que suprem o cérebro (as artérias carótidas ), ela poderá provocar uma isquemia cerebral transitória ou um acidente vascular cerebral (derrame cerebral). Quando a aterosclerose ocorre nas artérias que suprem o coração (artérias coronárias), ela poderá provocar angina do peito , infarto do miocárdio , insuficiência cardíaca e morte.
Nos Estados Unidos e na maior parte do mundo , a aterosclerose e suas manifestações, são as principais causa de doença e morte. Apesar dos importantes avanços da medicina , o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral são responsáveis por mais mortes que todas as demais causas combinadas.
Fatores de risco:
O surgimento e a progressão da aterosclerose relacionam-se com a presença dos fatores de risco cardiovascular. Os principais são : hipertensão arterial (é o principal fator de risco) , dislipidemias (níveis sangüíneos elevados de "colesterol ruim" ou LDL-colesterol e níveis baixos de "colesterol bom" ou HDL-colesterol), tabagismo, diabete melito, obesidade (principalmente a obesidada central , ou seja , da cintura para cima) , sedentarismo , estresse psicossocial e o envelhecimento.
O fato de um inivíduo ter um parente de primeiro grau (pais , irmãos e avó) , que tenha apresentado aterosclerose precoce (parente homem com menos de 55 anos e parente mulher com menos de 65 anos), também contitui-se em um importante fator de risco (história familiar positiva para aterosclerose).
Na hipercolesterolemia familiar, outra doença hereditária, níveis sangüíneos de colesterol extremamente altos estimulam a formação de ateromas nas artérias coronárias, muito mais do que nas demais artérias do organismo.



Aterosclerose e Radicais Livres
Os radicais são capazes de reagir com o chamado lipídio de baixa densidade, ou o mau colesterol, que circula no sangue. Essa gordura alterada pelo oxigênio chama a atenção das células imunológicas, os macrófagos, que fazem um serviço de limpeza no organismo, engolindo uma molécula de colesterol atrás da outra. Essas células, contudo, são convocadas para recuperar eventuais machucados na parede dos vasos e, chegando ali, muitas vezes estouram, espalhando o conteúdo oxidado pela lesão. Isso atrai mais macrófagos para o lugar, criando aos poucos um monte de colesterol depositado, que pode impedir o livre trânsito do sangue (aterosclerose). As membranas celulares são constituídas, principalmente, de lipoproteínas. Estes lipídios da membrana celular, após sucessivos ataques de radicais livres, se enrijecem, surgindo "trincas" na membrana celular.
Com a exaustão da proteção antioxidante ocorre a lipoperoxidação. A LDL torna-se uma partícula apodrecida, rancificada, por ação de espécies reativas de oxigênio e derivadas dos lipoperóxidos e oxicolesteróis. A agressão oxidativa sobre a apoproteína B100 resulta em sua fragmentação em múltiplas cadeias peptícas de menor tamanho, desaparecendo o ligante que permite sua ligação ao receptor para LDL. Isso pode ser evidenciado pela antigenicidade alterada, aumento na carga negativa e por se tornar aderente a receptores scavengers.
A captação de LDL pelo receptor para LDL inicia-se com a interação da lipoproteína com os receptores presentes em fossas revestidas (coated pits) de clatrina. O conjunto LDL-receptor é englobado, funde-se ao lisossomo, sendo o receptor reciclado e o colesterol liberado para o citoplasma. Esse colesterol exerce down regulation sobre os receptores para LDL, garantindo menor aporte subseqüente de colesterol. Isso previne o acúmulo de quantidades excessivas de colesterol.
Acontece que, quando LDL é captada por receptores scavengers de macrófagos, não ocorre o feedback negativo, de modo que quantidades fatais de lipídeo se acumula, convertendo o macrófago numa célula espumosa, que é precursora de placas de ateroma.
A oxidação da LDL é feita pelos mesmos mecanismos produtores de radicais livres usados como bactericidas. A LDL oxidada exerce efeito imunológico, recrutando monócitos que são transformados em macrófagos que se tornam residentes nesta que será uma nova estria gordurosa. A remoção da LDL pelos receptores scavengers resulta em acúmulo de colesterol e formação de células espumosas. Além disso, LDL oxidada é citotóxica e causa disfunção do endotélio vascular, alterando seus mecanismos vasodilatadores e anticoagulantes. A necrose de células espumosas e o aparecimento de células como fibroblastos e musculares lisas leva ao surgimento de uma estrutura contendo cristais de colesterol intra e extracelular, células necróticas, fibras musculares lisas em proliferação, lesão essa que faz saliência para a luz do vaso e é revestida por uma capa fibrótica, sobre a qual se encontra endotélio lesado e freqüentes trombos.
Desenvolvimento da placa de ateroma
Sintomas
A aterosclerose é traiçoeira, pois os sintomas só aparecem quando os vasos sanguíneos estão prestes a ficar completamente obstruidos. Como essa obstrução pode impedir a circulação de sangue para diferentes orgãos, os sintomas serão relativos ao orgão afetado. Os orgãos mais afetados e as consequências da obstrução são os seguintes:
*Artérias que irrigam o cérebro (carótidas) - acidente vascular cerebral (derrame).
*Artérias coronárias, que irrigam o coração (coronárias) - dor no peito, angina ou infarto.
*Artérias que irrigam as pernas (femoral, poplítea, tibial) - dor ao caminhar, claudicação intermitente, gangrena.
A obstrução das artérias que irrigam os rins também pode causar sérias complicações, inclusive à morte.
Prevenção
É o modo mais eficaz de combater a aterosclerose. Exercícios físicos e alimentação equilibrada diminuem os fatores de risco como alteração na pressão, alteração de colesterol e triglicérides, obesidade e sedentarismo.
Tratamento
Atualmente, as principais formas de tratamento da aterosclerose são: a ingestão de antioxidantes, como a vitamina E, para reduzir a inflamação e frear a formação das placas de gordura; a utilização de bloqueadores de cálcio, para evitar a perda da elasticidade dos vasos afetados e a ativação de reações bioquímicas indesejáveis; e a implantação de balões e malhas metálicas por meio de um cateter no local da lesão, de modo a aumentar o diâmetro interno do vaso e possibilitar a passagem do sangue.



2 comentários:

  1. Gostei muito do modo pelo qual vocês abordaram a relação dos radicais livres com a aterosclerose, uma doença que afeta grande contingente populacional, sendo uma das maiores causas de morte no mundo todo. Com esse estudo, vocês desmistificam a associação indiscriminada do colesterol com esse distúrbio.

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  2. Evidência recente mostrou que a oxidação do LDL ocorre não dentro do fluido intersticial como prega a teoria oxidativa, mas no interior de lisosomas em macrófagos nas lesões atheroscleroticas. Mais importante o estudo encontrou que essa modificação oxidativa foi inibida pela droga cloroquina a qual aumenta o pH dos lisosomas, visto que a oxidação do LDL pode ser promovida pelo pH ácido. Para maiores informações veja na teoria da acidez na aterosclerose (texto em português) em http://www.infarctcombat.org/AcidityTheory-p.pdf

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